WWF estima impacto ambiental da tragédia de Brumadinho

Análise preliminar aponta que reflexos serão sentidos por anos

Da Redação / Ecológico – redacao@revistaecologico.com.br
Rompimento de Barragem
Publicado em: 30/01/2019

As consequências ambientais da tragédia de Brumadinho, que inclui de perdas florestais a espécies ameaçadas, vão se prolongar no tempo. Essa é a análise feita pelo WWF Brasil sobre o impacto do rompimento da barragem de rejeitos da Mina Córrego do Feijão, da mineradora Vale, ocorrido na última sexta-feira (25/01).

Com base na comparação de imagens de satélite divulgadas dois dias após o derramamento da lama com mapas de 2017, a ONG estima que aproximadamente 125 hectares foram diretamente atingidos – o que equivale a 125 campos de futebol ou mais de um milhão de metros quadrados.

De acordo com a avaliação, a perda de hábitat se deu em um setor de Mata Atlântica em transição para Cerrado. A lama afetou blocos de florestas, fragmentando-os e dificultando a conectividade das áreas, o que também provoca impactos para a fauna.

É possível afirmar, de acordo com o WWF, que a vida aquática acaba nos locais onde a lama se acumula. Nos trechos mais afetados, o rio deixa de correr e a água é substituída pela lama, onde as espécies não conseguem sobreviver. A fauna terrestre que depende do curso do rio mais diretamente também é fortemente impactada.

Foto: Lucas Hallel / Ascom Funai
Foto: Lucas Hallel / Ascom Funai

Impacto rio abaixo

Ao seguir o curso do Rio Paraopeba, os sedimentos continuarão a se movimentar. O Serviço Geológico Brasileiro calcula que a pluma, resultado da mistura dos rejeitos com a água, chegue à Usina Hidrelétrica (UHE) de Retiro Baixo, em Pompéu (MG), até 10 de fevereiro.

Ainda que a maior parte seja retida na represa da UHE, os sedimentos mais finos continuarão sendo carreados e não é possível afirmar, diz o WWF Brasil, como e quando se dará a diluição deles. Portanto, será preciso monitorar a qualidade da água ao longo da calha, até a foz na represa de Três Marias, em Felixlândia (MG), e no Rio São Francisco, onde a água segue atravessando o Nordeste até chegar ao mar.

A análise, conclui o WWF Brasil, é que “será um longo processo de mudança no ecossistema, que poderá afetar a vida aquática até mesmo no Rio São Francisco, porque a água se tornará mais turva sempre que chover forte na área onde a lama está acumulada”.


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